<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>O Poeta de Hamelin</title>
	<atom:link href="http://opoeta.opvs.org/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://opoeta.opvs.org</link>
	<description>Venham Crianças e Ratos Abjetos</description>
	<lastBuildDate>Tue, 22 Nov 2011 23:51:39 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
		<item>
		<title>Heranças</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/127</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/127#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 23:46:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Translobo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=127</guid>
		<description><![CDATA[Há pelas ruas de nossa cidade uma força ancestral. Sussurros tenebrosos, antes cultuados pelos míticos bruxos, anteriores até mesmo a eles. Dentro de nossos carros deixamos de ouvir a voz de nossa terra. Do interior de nosso pequeno mundo artificial, pensamos que a rua deveria nos servir. Não ouvimos seu suave lamento. Sua canção de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há pelas ruas de nossa cidade uma força ancestral. Sussurros tenebrosos, antes cultuados pelos míticos bruxos, anteriores até mesmo a eles.</p>
<p>Dentro de nossos carros deixamos de ouvir a voz de nossa terra. Do interior de nosso pequeno mundo artificial, pensamos que a rua deveria nos servir. Não ouvimos seu suave lamento. Sua canção de poder.</p>
<p>Deixa a cápsula de civilidade. Ouça o chamado.</p>
<p>Nos ventos que cruzam os antigos caminhos, são carregados os odores putrefatos dos mortos. Mas a podridão já se esvaiu, e apenas restou o legado de nossos ancestrais, a ser levado pelo turbilhão ermo.</p>
<p>Viver é ventar. A prova de que vivemos é o vento que fizemos correr sobre este mundo. Quando caminho, posso sentir o vento de séculos acumulado. A ventania humana, coro de histórias, risos e lamentos. Os ensinamentos de nossos ancestrais. Não importa se teu sangue descansa nestas terras. As primeiras vozes ainda ecoam por aí.</p>
<p>Longe da herança dos primeiros dias, dos ecos dos primeiros mortos, apenas uma prisão a fazer secar almas pelo lado de dentro.</p>
<p>~Translobo~</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/127/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>MANIFESTO DA ULTRAREALIDADE</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/123</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/123#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 21:33:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arlequim]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=123</guid>
		<description><![CDATA[Respeitável público. Após esta involuntária e tão grave pausa, decreto o manifesto primeiro da alma. Que a ultrarrealidade seja enfim, alcançada, e observada ao final desta revolução. Sejamos sinceros, afinal. Chegou a hora de enfrentar a derradeira verdade. Não há realidade. Não se iluda, caro mortal. Tome tento que finito é mundo, cerrado em tua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Respeitável público. Após esta involuntária e tão grave pausa, decreto o manifesto primeiro da alma. Que a ultrarrealidade seja enfim, alcançada, e observada ao final desta revolução. Sejamos sinceros, afinal. Chegou a hora de enfrentar a derradeira verdade. Não há realidade.</p>
<p>Não se iluda, caro mortal. Tome tento que finito é mundo, cerrado em tua covarde mente. Com tua morte, morrerá todo o universo. Agarre, afague esses torrões de terra, argumentando com a palavra dura, com a pedra fria atente contra esta verdade, mas, por fim, aceite e perceba que acaricia suas próprias convicções e enganos.</p>
<p>O princípio e o fim do universo estão encarcerados em seu corpo, e hão de perecer com teu fim. Explico: o universo nasceu contigo. Passou a existir no momento, não que você nasceu, mas em que adquiriu sua consciência.</p>
<p>A percepção é a cor do mundo. Sua terra cavada, palmo a palmo com seu tato tímido. Nossos pulmões trazem a música da existência. Sobre pressupostos humanos se sustenta a frágil construção.</p>
<p>Existem países e deuses imaginários. Criados pela mente mais febril. Em tudo semelhantes Àquilo que nossos pés podem pisar.</p>
<p>Há sabores além de sua língua e cores muitas que olhos viciados não podem ver.</p>
<p>Todo o espectro apenas é visto pelo espírito.</p>
<p>O Universo é infinito, e aprisionado em seu corpo. A realidade é limitada pelas borradas janelas que a carne fornece. Apenas no espírito existem as impressões, e somente depois delas existe verdade.</p>
<p>Além das grosseiras visões, e dos ecos surdos dos gritos dos mortos que andam pela terra. Sobre os corpos putrefatos e depois de assaltados os fortes e castelos de areias repousa uma verdade. Todo o resto, são apenas sulcos, que parecem algo significar, sonhos, crenças e toda a humanidade suavemente destruída pelos ventos que se perdem nos mares, que preenchem um vazio.</p>
<p>-Arlequim-</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/123/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Em defesa dos malditos</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/121</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/121#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 Apr 2011 14:12:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Advogado Do Diabo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=121</guid>
		<description><![CDATA[Esta noite recebi uma visita do diabo. Ele me visitou para me fazer uma proposta, pode até mesmo ser chamada indecorosa por algumas pessoas. Queria contratar meus serviços. Me solicitou a defesa de seres malditos. Homens proscritos desta terra. Ideias proibidas pelas sábias academias. Culturas abolidas pelas boas morais. Ah, que categoria mais vil de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta noite recebi uma visita do diabo.</p>
<p>Ele me visitou para me fazer uma proposta, pode até mesmo ser chamada indecorosa por algumas pessoas. Queria contratar meus serviços.</p>
<p>Me solicitou a defesa de seres malditos. Homens proscritos desta terra. Ideias proibidas pelas sábias academias. Culturas abolidas pelas boas morais.</p>
<p>Ah, que categoria mais vil de tarefas fui convocado a realizar.</p>
<p>O diabo saiu em defesa destas coisas más, e imagine, convidou a mim, para ser seu representante.</p>
<p>Deveria defender Caim, e seus filhos.</p>
<p>Curioso à respeito de pagamento, antes que o indagasse, jogou à mesa os honorários a que eu teria direito.</p>
<p>Como pagamento pelos meus trabalhos, receberia infâmia, revolta e incompreensão. E a certeza de que os malditos não estarão indefesos diante dos bons e belos deste mundo.</p>
<p>Que venha a infâmia, os ventos contrários e a bondade a ser combatida. Que venham os anjos, homens de bem e defensores da boa conduta.O diabo saiu em defesa de novos ideais.</p>
<p>Obeliscos absolutos da bondade. Que me oferecem para recusar essa infâmia? Ah, sim, belas quantias de dinheiro.</p>
<p>Advogado do Diabo&#8217;§&#8217;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/121/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Chegarão dias em que automóveis voarão.</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/117</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/117#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 02:54:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gladius]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=117</guid>
		<description><![CDATA[Recentemente realizei uma viagem, de avião. Há mais de 5 anos eu não voava. Havia esquecido completamente os prazeres e incômodos dessa rápida jornada. Demoramos mais com deslocamentos no aeroporto, e na espera do embarque do que no vôo propriamente dito. Foi uma viagem rápida, apenas uma hora no ar. Mas, além da bela vista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente realizei uma viagem, de avião. Há mais de 5 anos eu não voava. Havia esquecido completamente os prazeres e incômodos dessa rápida jornada. Demoramos mais com deslocamentos no aeroporto, e na espera do embarque do que no vôo propriamente dito. Foi uma viagem rápida, apenas uma hora no ar. Mas, além da bela vista panorâmica, e do incômodo auditivo, algumas indagações invadiram minha mente.</p>
<p>Comecei a imaginar qual seria a razão do medo de voar, uma vez que se trata de uma habilidade fantástica do homem. Uma das descobertas que colocam um pouco de esperança na capacidade humana de transcender suas capacidades.</p>
<p>Acredito que neste ponto, na transcendência do homem, se encontra o ponto que atemoriza muitos mortais.</p>
<p>Inicialmente, há claro a separação física de nosso corpo e Gaia, a terra, que literalmente gerou os elementos de nosso corpo. Nossa natureza é terrena, porém nossa alma, aprisionada neste corpo pétreo, anseia os ares.</p>
<p>Quando voamos, desde o início observamos a imponência das máquinas voadoras. Mesmo as pequenas impõe seu respeito. Representam a indignação e a inquietação humana com a sina de animais terrestres. Não podemos, é claro, dominar a natureza, mas esse tipo de máquina demonstra a boa luta pelo desenvolvimento.</p>
<p>Quando atingimos o céu, temos uma visão mais ampla de nossa  terra, e do que nela representamos. Nossa casa, nossa cidade, tudo some diante da imensidão do mundo e do universo. Por um certo momento, desaparecemos da face da terra, e, o que é pior, a terra continua lá, imponente. Quando chegamos aos céus, temos imediata consciência de quão efêmera é nossa existência. De nossa insignificância. Podemos alcançar os céus, mas lá, vemos que não significamos nada e que não há nenhum deus a nos esperar.</p>
<p>Talvez o desalento, e esses símbolos sentidos inconscientemente, gerem o medo da solidão nas pessoas. O medo de voar, além do medo da morte, é o terror de cheirar a aniquilação gerada pelo vôo.  Nossa existência é suspensa por alguns instantes. E o mundo ainda gira. As nuvens estão lá, impassíveis diante de nossa insignificância. Enquanto o vôo representa um pequeno salto em nossas capacidades, também demonstra o quão pequenos ainda somos.</p>
<p>Creio que a carga simbólica de transcendência também assuste um pouco, pois o vôo, o transgredir dos limites impostos pela natureza, afeta a nós pobres macacos tão amestrados em determinadas práticas. Pelo menos conseguimos desenvolver asas. Pelo menos ainda resta uma esperança, do medo, das tragédias, da má utilização do poder de voar. A de que é possível ultrapassar limites. E que voe a águia, sempre além.</p>
<p>A inquietação prevalecerá.</p>
<p>&#8211;Gladius</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/117/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Discussões de Gênero</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/109</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/109#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 12:42:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gladius]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=109</guid>
		<description><![CDATA[Andei ouvindo diversas discussões a respeito do machismo, feminismo, e muitas delas embasadas em alguns conceitos equivocados. Antes de mais nada, é necessário observar a diferença que existe entre gênero e o sexo. Boa parte da diferenciação e da desigualdade dos sexos, não passa de diferenciação construída nas relações de gênero. Há um tipo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Andei ouvindo diversas discussões a respeito do machismo, feminismo, e muitas delas embasadas em alguns conceitos equivocados. Antes de mais nada, é necessário observar a diferença que existe entre gênero e o sexo.</p>
<p>Boa parte da diferenciação e da desigualdade dos sexos, não passa de diferenciação construída nas relações de gênero.</p>
<p>Há um tipo que preenche o gênero masculino, e outro feminino. Estanques. São preenchidos por diversos códigos, de vestimenta, conduta, com deveres, direitos e obrigações diferentes, sob o ponto de vista moral.</p>
<p>Por serem códigos morais de conduta, estão inseridos fundo na mente das pessoas e muitos os defendem como se fossem Leis fundamentais da sociabilidade humana. Seu desrespeito acarreta muitas vezes exclusão e marginalização.</p>
<p>Recentemente Laerte assumiu seu travestismo. O mais interessante dessa atitude foi a contestação política que tal posição adotou, tendo em vista que ousou transitar livremente entre os gêneros, abrindo mão de códigos que deveria seguir, tendo em vista seu sexo.</p>
<p>Esses códigos restringem as possibilidades das pessoas, homens e mulheres. Diz-se que nossa sociedade é machista, pois essas normas legam  predominantemente aos homens a função de dominação, e à mulher de submissão. Contudo, tais prescrições não são absolutas.</p>
<p>Para muitas pessoas essas normas são excelentes, pois refletem o tipo de pessoas que almejam ser. (seja pelo desígnio próprio, ou ainda pela total entregue de seu ser ao clamor social.) Para muitas, muitas, outras, apenas restringem seu potencial.</p>
<p>Quando se sedimentam os conceitos de que as mulheres tomam decisões de modo emocional, e os homens de modo racional, e portanto homens seriam melhores líderes, surge um forte argumento da inferioridade da liderança feminina.</p>
<p>Outra faceta desses códigos é a obrigação que cabe ao homem de pagar as contas da mulher, de aproximar-se caso tenha interesse, e de usar azul e nunca o rosa. (São as concepções do código em sua acepção mais radical). Surgem também as obrigações que os machos têm, e caso descumpram, têm sua masculinidade questionada. Regras machistas que também prejudicam os homens que não desejam se submeter a esses códigos.</p>
<p>Já as mulheres, têm sua liberdade sexual restringida, pois caso desobedeçam os ideais de pureza, e tomem alguma iniciativa, ou em alguns casos simplesmente sintam desejo, logo são tomadas por putas.</p>
<p>Alcunha que vem rapidamente de outras mulheres, já dominadas pelos códigos de gênero a que se submetem. Estas mesmas ficam temerosas com o feminismo, quando questiona algumas regras já interiorizadas como naturais.</p>
<p>Esse papel, legado às mulheres as restringe profissionalmente, pois o alegado de descontrole &#8220;emocional&#8221; ao decidir, dificulta que consigam atingir cargos mais altos.</p>
<p>Assim, diz-se machista a sociedade atual, mas oprimidos pelos códigos não são somente as mulheres, e não são todas elas, mas sim pessoas, homens e mulheres, que não se encaixam nos códigos estabelecidos como corretos para cada gênero.</p>
<p>Há mulheres que estão confortáveis, com salários satisfatórios e que gostam dos &#8220;agrados&#8221; que recebem apenas por que são mulheres, estas se assustam e não entendem o porquê da indignação de outras.</p>
<p>Tais agrados, como pagar uma conta, em função apenas do gênero, considero verdadeira ofensa à pessoa da mulher. Um pagamento desses é o reconhecimento da mulher como inferior aos homens. É a consequência imediata de sua fragilidade. Diferente é pagar uma conta por estima, seja por um amigo ou amiga. Estimo a pessoa, e não seu sexo. Diferente é reconhecer a mulher como pessoa e não como fêmea.</p>
<p>Feitas essas considerações, façamos agora uma visita ao mundo jurídico. As leis refletem, meio mal, mas refletem as interações sociais. Historicamente vem ocorrendo uma mudança no caráter das leis, pois as determinações de conduta não são absolutos no decorrer do tempo, elas variam.</p>
<p>Muitas pessoas ao desafiar o código, acabam por inová-lo, e criar novos rótulos e novas categorias. Hoje há mais liberdade que há 30 anos, e em 30 anos, espero que minhas ideias sejam consideradas até mesmo reacionárias.</p>
<p>As leis apontam essa evolução, e nossa Constituição determina direitos e deveres iguais a homens e mulheres, contudo, há leis que ainda discriminam os sexos. Menos que há alguns anos, mas ainda assim existe diferença de tratamento.</p>
<p>Registro algumas prescrições injustas em favor das mulheres, como a inexigência do serviço militar, o menor tempo de aposentadoria e até mesmo a licença maternidade.</p>
<p>Sim, em prol da igualdade, os homens também deveriam ter uma licença paternidade maior, seja para auxiliar a mulher em sua recuperação do parto, como também para diminuir as diferenças existentes nos contratos de trabalho.</p>
<p>A licença maternidade mais extensa que a do homem torna a mulher menos atrativa ao  empregador, pois as despesas que ele tem com a empregada é maior que com um empregado. Objetivamente é um critério que beneficia a escolha de um homem para determinado cargo.</p>
<p>Esse é um exemplo de que a diferenciação dos direitos prejudica ambos os lados, tanto o pai que tem pouco tempo com o filho como a mulher que tem sua carreira profissional dificultada.</p>
<p>Leis como a &#8220;Maria da Penha&#8221;, tratam de outros tipos de diferenciação. É uma discriminação superficial, pois para a igualdade não basta que sejam fixados direitos e deveres iguais, mas que estes sejam proporcionais e as diferenças respeitadas. (Diferenças inerentes às pessoas e aos gêneros e não as construídas socialmente pelos códigos de conduta.) Assim, uma lei que diferencia pode estar garantindo a igualdade.</p>
<p>Igualdade é tratar os iguais igualmente e os desiguais de modo desigual, na medida de suas desigualdades.</p>
<p>Atualmente a Lei ainda não é justa, e não há direitos iguais, mas espero que caminhe nesse sentido, e mais, que as pessoas percebam que quanto menores as restrições dos códigos de gênero e maior a liberdade das pessoas, mais benéfico será, pois mais gente poderá exercer seu potencial.</p>
<p>Gladius.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/109/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O desejo de querer voar. Votos de uma boa Viagem.</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/102</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/102#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 01 Jan 2011 08:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gladius]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=102</guid>
		<description><![CDATA[Curioso. Estou aqui mais um dia, um pouco estressado e com um pouco de dor de cabeça. A festa da virada do ano foi realmente divertida. Tenho também a ligeira impressão de que desvirtuei o propósito deste blog. Mais um ano se inicia. Não que enormes mudanças advenham disso, na realidade até mesmo essa institucionalização [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Curioso. Estou aqui mais um dia, um pouco estressado e com um pouco de dor de cabeça. A festa da virada do ano foi realmente divertida. Tenho também a ligeira impressão de que desvirtuei o propósito deste blog. Mais um ano se inicia. Não que enormes mudanças advenham disso, na realidade até mesmo essa institucionalização da mudança a impede, mas enfim. Alteraremos os dígitos de nossas datas, pagaremos novas contas, e seremos homens melhores.</p>
<p>O grande problema do final de ano é que as festas acabam. O ímpeto de mudança não passa da primeira semana. É uma mudança inofensiva, calculada apenas para instigar, sem realmente chegar.</p>
<p>A mudança é bem vinda, mas sempre. Como também o progresso. Caro leitor, por favor, não me interprete mal. Não são os votos que me incomodam, mas sim a curta vitalidade dos mesmos. Desejo a plenitude, o absoluto, não a Vodka caro bebum, mas sim a realização dos potenciais.</p>
<p>Meu maior desejo este ano, é que a Águia possa crescer. Ela representa o nosso potencial, as alturas que podemos alcançar, os sonhos que podemos desenhar. Simboliza a coragem e a ousadia que nos falta tanto nestes dias. Que possa voar e enxergar o Sol, além das nuvens tenebrosas que ameaçam nosso voô.</p>
<p>Sem nuvens, sem obstáculos, não há mérito no voô. Para observar o Sol, é preciso navegar, já dizia o Grande Poeta. Caso tenham dúvidas, não hesitem em perguntar, apenas não sou explícito porque acredito que a eminência dele transborda dessas singelas palavras.</p>
<p>Que sina, sempre a me desviar do assunto. Caro leitor, a você que aqui chegou, com sua paciência e talvez falta de algo melhor para fazer, dedico os votos, não de um ano melhor, mas de uma vida com menos limites e limitações, mais coragem, ousadia e descobertas. Que aquilo que deveria ter sido, e poderia ter sido, realmente se realize.</p>
<p>Estou ligeiramente optimista. E creio que não é o álcool do momento, ou embriaguez da hora avançada. Enfim, não desejo que saiam voando por aí, mas me contento tão somente que tal ímpeto floresça entre seus sonhos. Nunca confie naqueles que não sonham em voar. Voar é preciso.</p>
<p>- GLadius</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/102/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre as raízes e a decadência do gênero humano.</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/97</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/97#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Dec 2010 03:04:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Translobo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=97</guid>
		<description><![CDATA[Quando observamos certos tipos de povos, seres, ou até mesmo sistemas, conseguimos notar certos sinais que indicam o seu grau de desenvolvimento, e até mesmo, perceber alguns indicativos do caminho que tal coletividade seguirá. Um dos principais indicadores da evolução de uma sociedade é a linguagem. Não se engane, caro leitor, ao imaginar que nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando observamos certos tipos de povos, seres, ou até mesmo sistemas, conseguimos notar certos sinais que indicam o seu grau de desenvolvimento, e até mesmo, perceber alguns indicativos do caminho que tal coletividade seguirá. Um dos principais indicadores da evolução de uma sociedade é a linguagem.</p>
<p>Não se engane, caro leitor, ao imaginar que nosso intrincado e rebuscado meio de comunicação é sinal de bons augúrios para o futuro. A linguagem pode indicar exatamente o grau de degradação que pode ser observado nas pessoas. Em princípio, a própria perfeição da linguagem, já a afasta dos ideais divinos, lançando-nos a patamares mais deploráveis que as bestas incultas.</p>
<p>A linguagem humana é a degradação imediata das ideias. Trata-se de um mecanismo que detém a capacidade de devorar sentimentos, poesia e beleza, na tentativa de transportá-la, guardá-la, apropriá-la, apenas destrói a essência semântica das coisas, tornando-a um simulacro daquilo que poderia ter sido. Creio que não é necessário dizer que a linguagem falada e a escrita simbolizam o ápice da degradação humana, de modo que um olhar sincero, transmite mais que palavras belas e refinadas.</p>
<p>Além desse limiar da civilização, que é nossa linguagem, que, mesmo imperfeita, estamos presos, há vários graus de degradação possíveis. Há maneiras mais e menos nobres de utilizarmos essa herança maldita de nossos ancestrais. A esses variados usos, dedico este breve comentário. A decadência do gênero humano pode ser observada quando deturpamos o significado das mais simples palavras. Quando estas adquirem sentidos não somente distantes, diferentes e opostos, mas passam também a aprisionar e instigar nossas almas nessa direção oposta. É a constatação de que se degradou nosso modo de pensar.</p>
<p>A palavra raiz é uma delas. Uma palavra banal, com significado amplamente conhecido, que nos é passado desde os primórdios de nossa existência. Infelizmente, igualmente preso a nossa mente o sentido limitado, restrito, imobilizado.</p>
<p>A raiz é aquilo que prende à terra. A planta não pode sobreviver livre, solta. Não pode usufruir a liberdade, esta a mataria. Então, o segredo da vida, é a fixação. Contente-se com seus nutrientes e com sua terra pequena plantinha, a restrição será tua sina.</p>
<p>A raiz encerra estes nefastos, terrenos e mundanos significados. A ideia da vida, sim, mas da vida fixa, quase impotente. Restrita aos limites impostos. É necessário parar, para então viver.</p>
<p>Não poderia estar mais equivocado, visão mais turva. A raiz traz consigo o segredo de nossas almas.</p>
<p>Explico. Ela está presa à terra, e fisicamente pode restringir os movimentos de uma planta, mas é nas suas raízes que ela deposita seus desejos e suas vontades. A raiz é a vida e mais, é a busca eterna pela vida. A raiz cresce e busca e não cessa de crescer. A liberdade é atrelada de modo eterno à vida. Um deles sem o outro, começa a minguar. O que importa não é realmente o tamanho que a raiz pode vasculhar, mas sim, que sendo pequena, ou grande a parcela de terra sob seu domínio, ela não cessa de buscar. Busca a vida, os desejos e os sonhos. Essa é a liberdade experimentada, esse é o significado arraigado à palavras, mas esquecido, assim como nos esquecemos da liberdade e de quais nutrientes devemos procurar para manter saudável nossa alma.</p>
<p>Liberdade, busca e crescimento. São significados ocultos, sufocados, roubados às raízes. Continuam com sua função, mas sem a compreensão dos homens. Mirem nas raízes, para que possam compreender as folhas que alcançam os céus. Nas profundezas se oculta o segredo e a vitalidade.</p>
<p>Crescimento incessante,  e a busca dos sonhos. A raiz é a parte da planta que não se vê. É a ambição oculta. É o potencial incansável. Essa é a razão porque os homens não devem perder suas raízes, ou pior, tomar por raízes suas pequenas celas.</p>
<p>~Translobo</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/97/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sampa</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/83</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/83#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Sep 2010 00:57:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=83</guid>
		<description><![CDATA[Certa vez um escritor que admiro muito incutiu em minha mente a ideia de que as cidades são organismos vivos. Realmente, às vezes elas nos deixam pensar tais coisas, com diferentes temperamentos, recepções, qualidades ou defeitos. Há cidades antigas e outras tantas novas&#8230;. De qualquer modo, acredito que algumas pessoas têm certa identificação com algumas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certa vez um escritor que admiro muito incutiu em minha mente a ideia de que as cidades são organismos vivos. Realmente, às vezes elas nos deixam pensar tais coisas, com diferentes temperamentos, recepções, qualidades ou defeitos. Há cidades antigas e outras tantas novas&#8230;.</p>
<p>De qualquer modo, acredito que algumas pessoas têm certa identificação com algumas cidades. Pode ser que tal identificação coincida com o local onde você mora, às vezes seu coração reside em algum lugar longínquo, enterrada com boas memórias.</p>
<div id="attachment_86" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a href="http://opoeta.opvs.org/wp-content/uploads/2010/09/Imagem0082.jpg"><img class="size-medium wp-image-86" title="indios" src="http://opoeta.opvs.org/wp-content/uploads/2010/09/Imagem0082-225x300.jpg" alt="Grafiti" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Minhocão</p></div>
<p>O local com o qual a pessoa se identifica pode se alterar durante sua vida. Enquanto eu conhecia apenas Sorocaba, era lá que me identificava, contudo, sempre que caminhava, sentia o pulso das ruas, e nos fluxos de ar, que aquele lugar não refletia minha disposição psíquica.</p>
<p>Conforme vou vivendo aqui em São Paulo, me identifico mais com suas esquinas, ruas, árvores e clima. Seus comércios e trovões. Assim como uma pessoa, esta cidade apresenta seus desígnios e objetivos. Às vezes parece vagar a esmo pela existência, simplesmente a existir, outras vezes a desafiar as existências e todas as alturas preestabelecidas.</p>
<p>Aprendi a admirar os pequenos defeitos, as pequenas e grandes sujeiras. Pequenas pinturas, belos e feios grafites e pichações, como cicatrizes a marcar a sobrevivência e a bravura das cidades. A ira a massacrar alguns de seus habitantes, seja atropelando-os ou ainda engolindo-os com suas bocas de concreto. A cidade permanece impassível diante dessas pequenas tragédias. Incólume, a coçar essas pequenas sarnas em suas ruas.</p>
<p>Como o sangue em nossas veias, os veículos a preencher e entupir as vias desta imensa cidade.</p>
<p>Temos nossas próprias marcas, assim como a cidade, temos nossos medos e anseios, e esta cidade oprime muitos de seus moradores. Tenho a impressão de que muitos de meus concidadãos não compartilham de meu sentimento pela cidade, mas eu gosto de seu clima, nem tanto de seu ar, mas o tolero bem, adoro seus bares, e sua atmosfera artística. Uma verdadeira cidade das luzes, a iluminar as travessias e abrir-se somente aos mais pacientes.</p>
<div id="attachment_85" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://opoeta.opvs.org/wp-content/uploads/2010/09/Imagem0086.jpg"><img class="size-medium wp-image-85" title="Viaduto do Chá" src="http://opoeta.opvs.org/wp-content/uploads/2010/09/Imagem0086-300x225.jpg" alt="Chá" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto tirada no viaduto do chá</p></div>
<p>-&gt;&gt; Gladius</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/83/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desculpem o Transtorno.</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/80</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/80#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 Sep 2010 17:15:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=80</guid>
		<description><![CDATA[Fechado para fins monográficos. O termo monografia, implica o prefixo &#8220;mono&#8221;, que tem como significado um, ou seja, quando você faz uma monografia, ela não te deixa fazer mais nada. Mas relaxemos, porque na Rússia, são as monografias que fazem você. O que talvez signifique uma certa perversão dos ideais de criação, mas enfim, continuemos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fechado para fins monográficos. O termo monografia, implica o prefixo &#8220;mono&#8221;, que tem como significado um, ou seja, quando você faz uma monografia, ela não te deixa fazer mais nada. Mas relaxemos, porque na Rússia, são as monografias que fazem você. O que talvez signifique uma certa perversão dos ideais de criação, mas enfim, continuemos com nossa sina.</p>
<p>Gladius.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/80/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A outra face da Gênese</title>
		<link>http://opoeta.opvs.org/archives/76</link>
		<comments>http://opoeta.opvs.org/archives/76#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 03:28:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>g</dc:creator>
				<category><![CDATA[Demiurgo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://opoeta.opvs.org/?p=76</guid>
		<description><![CDATA[Você já parou para pensar que quando alguém relata uma história, tal fato não é contado de maneira imparcial, apenas temos uma ótica, um simples ponto de vista de um acontecimento. Ainda não me apresentei, mas afirmo que presenciei todas as histórias deste mundo, sejam reais, ou ainda as verdadeiramente reais. Vou relatar alguns acontecimentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você já parou para pensar que quando alguém relata uma história, tal fato não é contado de maneira imparcial, apenas temos uma ótica, um simples ponto de vista de um acontecimento.</p>
<p>Ainda não me apresentei, mas afirmo que presenciei todas as histórias deste mundo, sejam reais, ou ainda as verdadeiramente reais. Vou relatar alguns acontecimentos que ocorreram no princípio dos tempos, uma história que já foi contada, infelizmente por um dos seres interessados na mesma, o que, sob meu ponto de vista, afeta a credibilidade da mesma.</p>
<p>Acredito que muitos já ouviram a história na qual Deus criou o mundo e os homens, e logo mais os amaldiçoou ao sofrimento em razão de terem se alimentado do fruto proibido. (perdão aos puristas pelo singelo resumo de tão intrincado conto) Este é o ponto de vista relatado pelo criador, para eximir-se da real culpa existente no sofrimento da humanidade.</p>
<p>Existem regras que mesmo os deuses devem obedecer, e o Criador não é exceção a tais mandamentos. Relato omitido na história da criação é a existência de um ajudante, que trabalhou a seu lado no nascimento da terra. A deusa primordial, que gerou o caos, que pariu os primeiros elementos que seriam moldados por Deus.</p>
<p>Era uma deusa bela, de belos cabelos indefinidos, fios cromáticos de cor variável que não se sujeitavam às ordens dos ventos e nem da gravidade. Formavam-se e obedeciam apenas ao doce comportamento de sua senhora. Também sua face, se fosse observada por um simples mortal, poderia apenas ser descrita como a imagem que se forma ao alinhar um espelho frente ao outro. O eterno infinito translúcido, que reluzia. Não tinha forma, mas ao mesmo tempo, detinha todas elas.</p>
<p>Essa era a essência da deusa primordial,  que ao parir todas as coisas, foi transferida ao sangue e à composição de todo o material utilizado pelo Deus. Este separou e fixou a forma de todas as pequenas coisas. Deu-lhes um presente divino, a identidade. Em sua composição ainda aparentavam-se com a deusa, contudo perderam suas características fluidas externas.</p>
<p>Dessa união divina nasceram todas as coisas, todos os seres, a deusa a lhes dar substância, e o Criador a dar-lhes a forma definitiva.</p>
<p>No sexto dia da criação, a deusa já não mais procurava o Deus criador, pois estava fascinada com suas crianças, tocadas pelo Pai, e agora tão diferentes da mãe. Ainda ligados, mas cada um com seu próprio caráter e identidade. No sexto dia, ela não buscou o Deus.</p>
<p>Diante de tamanha afronta, resolveu o grande Deus demonstrar sua força, diante da infâmia, ofereceu sua ira e revolta. A deusa desdenhou de tamanha reação, ao nunca antes contrariado Criador, reforçando seu elo com seus filhos.</p>
<p>O Criador investiu com sua ira, obrigando a infeliz deusa a fugir e buscar abrigo na terra recém criada, disfarçando-se de criatura. ﻿Nesse momento, o tempo, que ainda servia fielmente aos seus pais, parou estarrecido frente a tamanho duelo.</p>
<p>A deusa, mesmo  essencial à criação, não pode resistir às investidas do Todo Poderoso, que acabou por reduzir sua inconstante carne a pedaços de pó, em sua forma mortal, pois assim tentara esconder-se.</p>
<p>Logo após o terrível crime primordial, Deus retomou sua calma, ou melhor dizendo, deixou de lado sua ira, para flertar apenas com o desespero. Grossas lágrimas verteram de seus olhos de trovão. Como rajadas de dor e sofrimento a inundar a terra. Em um último gesto de esperança, o criador tenta reconstruir sua amada com a poeira da terra, encharcada com suas lágrimas repletas de ódio.</p>
<p>O Criador inábil para seu intento, não pode recriar a deusa, pois jamais pode coletar novamente todos os seus pedaços, mas ainda sim, pela primeira vez, criou um ser. Com algo de sua substância, que se diferenciava de todos os outros itens da criação, que detinham ainda viva em seu interior a deusa primordial.</p>
<p>O Homem nasceu das lágrimas do Deus, e desse peculiar nascimento, adveio o sofrimento, bem como toda a violência inerente às pessoas. Todo seu intelecto e seu fardo a suportar nesta terra.</p>
<p>O resto da história, os senhores já o sabem, de modo que não me repetirei. Talvez em outra oportunidade eu conte uma variação, também esquecida dessa mesma história. Nunca se esqueçam, há tantas histórias quanto olhos para observá-las, e tantas versões quanto houve tempo para modificá-las.</p>
<p>Tudo é a história da criação.</p>
<p><strong><em>O Demiurgo.</em></strong><em> </em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://opoeta.opvs.org/archives/76/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

