Há pelas ruas de nossa cidade uma força ancestral. Sussurros tenebrosos, antes cultuados pelos míticos bruxos, anteriores até mesmo a eles.
Dentro de nossos carros deixamos de ouvir a voz de nossa terra. Do interior de nosso pequeno mundo artificial, pensamos que a rua deveria nos servir. Não ouvimos seu suave lamento. Sua canção de poder.
Deixa a cápsula de civilidade. Ouça o chamado.
Nos ventos que cruzam os antigos caminhos, são carregados os odores putrefatos dos mortos. Mas a podridão já se esvaiu, e apenas restou o legado de nossos ancestrais, a ser levado pelo turbilhão ermo.
Viver é ventar. A prova de que vivemos é o vento que fizemos correr sobre este mundo. Quando caminho, posso sentir o vento de séculos acumulado. A ventania humana, coro de histórias, risos e lamentos. Os ensinamentos de nossos ancestrais. Não importa se teu sangue descansa nestas terras. As primeiras vozes ainda ecoam por aí.
Longe da herança dos primeiros dias, dos ecos dos primeiros mortos, apenas uma prisão a fazer secar almas pelo lado de dentro.
~Translobo~
